ENEM 2016. Chuta que é macumba!!!

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[Esse texto nada tem a ver com o ENEM, mas tem tudo a ver com o título de sua redação]

Tentei localizar alguma explicação etimológica para a famigerada frase “Chuta que é macumba!”, mas encontrei apenas algumas citações não muito conclusivas. Alguns dizem que essa expressão tem o mesmo valor semântico que a frase “Sai de ré, Satanás”, frase essa que foi muito difundida entre os cristãos mais fervorosos em décadas passadas. Alguns associam tal frase a um estigma preconceituoso e excludente contra os praticantes das religiões afrodescendentes. Contudo, a explicação mais aceita – e que me parece ser a mais plausível – é que essa frase remete a alguma situação de risco o qual deve ser combatido ou evitado. Até aí nada demais!

MACUMBA é uma palavra de origem angolana, do quimbundo MA (o que assusta) + KUMBA (soar assustadoramente). Não por acaso, hoje ela é mais uma daquelas palavras mal vistas que os linguistas marxistas colocaram no hall de palavras marginalizadas pela “elite culta branca e fascista”, a qual possui acesso privilegiado à educação de primeiríssima qualidade. Neste mesmo hall de termos ofensivos e desgraçados encontram-se palavras como HOMOSSEXUALISMO – que hoje virou um verdadeiro insulto –; FAVELA, que hoje se diz COMUNIDADE; NEGRO, que hoje se diz afrodescendente; GORDO, que hoje se diz portador de sobrepeso; PROSTITUTA, que hoje se diz profissional do sexo; TRAVECO, que hoje se diz transgênero, e assim por diante… [Para conhecer mais dessas pérolas recomendo o Dicionário Politicamente Correto, da editora L&PM].

Em agosto de 2014 a revista Carta Capital publicou uma matéria extremamente tendenciosa onde apontava uma suposta perseguição dos cristãos contra os religiosos de matriz africana, haja vista, motivada especificamente por intolerância religiosa. [Obs: O título da matéria, que antes era “Até quando a religião africana sofrerá com o ódio fundamentalista?”, foi modificado para “Os orixás protegem”, provavelmente de tão grosseiro que ficou o título inicial]. Logo nos dois primeiros parágrafos do texto percebe-se facilmente que, dentre várias possibilidades que poderiam elucidar os atentados contra o terreiro citado na matéria, a primeira hipótese é sempre a do ódio dos evangélicos contra os afrodescendentes. Ou seja, se um terreiro de macumba pegar fogo por um curto circuito causado pela má instalação elétrica do local então a primeira linha de investigação policial deve, por via de regra, ter o foco voltado para a intolerância e o racismo dos cristãos contra os afrodescendentes, como se tal procedimento estivesse numa espécie de ordem de prioridades lógicas e investigativas do Novo Manual Politicamente Correto da Desconstrução Cristã. Ora! Isso é no mínimo ridículo!!!

Vejam, aconteceu comigo: Entre os anos de 1990 e 1998 morei na Baixada Fluminense – RJ, exatamente numa casa de esquina (encruzilhada) que fica a poucos metros de um grande terreiro de macumba – e que está em pleno funcionamento até hoje. Enquanto estive ali inúmeras foram as vezes em que eu fui abruptamente acordado pelos estampidos de fogos de artifício em plena madrugada. Gritarias, gargalhadas bizarras e batucadas noites adentro eram atividades rotineiras deste centro de macumba. Esses crimes [1] [2] aconteciam, pelo menos, de uma a duas vezes por semana e ninguém, absolutamente ninguém falava absolutamente NADA!!! Nem ateus, nem cristãos!!!

Meus pais, coitados, eram os que mais sofriam com esse desrespeito, pois trabalhavam o dia todo e à noite tinham o seu direito ao descanso violado por um absolutismo religioso arbitrário e totalitário que não se importava em zelar por um bom convívio com seus vizinhos. O verão do Rio de Janeiro era o período mais insuportável do ano, pois, como condicionador de ar naquela época era coisa de rico, se fechássemos a janela não dormíamos com o calor. Se abríssemos a janela não dormíamos com o barulho. Várias foram as vezes em que o meu rendimento na escola e no trabalho foram afetados por causa das noites mal dormidas.

O leitor pode se perguntar porque meus pais não foram ao terreiro ou até mesmo à prefeitura se queixar dos constantes transtornos que o centro de macumba nos causava. Bom, a resposta é muito simples: MEDO! Não de entidades espirituais ou coisas do tipo, mas medo dos próprios frequentadores do terreiro que acolhia traficantes locais, políticos influentes da região e gente da alta sociedade oriunda das partes mais nobres do Rio de Janeiro, os quais se reuniam semanalmente para tomar seus banhos de sangue, baforadas de charutos na cara e litros e mais litros de cachaça barata. O homossexualismo que ali circundava era algo notório e predominante. Ora! Não é por acaso que muitos gaysistas hoje têm ligações estreitas com as religiões afrodescendentes, pois há uma familiaridade muito grande entre eles. Aliás, todos estão direta e indiretamente ligados a um mesmo circuito [Leitura recomendada].

Não obstante às violações comumente praticadas pelos membros daquela religião, nós, por morarmos adjacentes  a uma encruzilhada, éramos rotineiramente afetados com péssimo odor exalado pelo sangue pútrido dos animais que eram sacrificados e deixados nas encruzilhadas e nas calçadas como formas de oferendas às entidades cultuadas pelos membros daquele terreiro. Quem já estudou um pouco sobre religiões alternativas sabe como funcionam as de matriz africana. No livro de São Cipriano, por exemplo, uma das “magias” envolve cegar um gato vivo e colocar favas em seus olhos, ânus e outros orifícios a fim de se tornar invisível. Outros livros envolvem a retirada dos dentes, patas e outras partes do corpo de animais ainda vivos.

maldade

Infelizmente a nossa legislação falha no tocante à proteção destes animais. No Artigo 5º da CF lemos: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” Os cristãos atuais são veementemente contra à prática de sacrifícios de animais para fins religiosos, no entanto se veem amarrados não apenas pela legislação vigente, mas também pelas inúmeras ocorrências relatadas no Pentateuco, as quais são usadas como um excelente pretexto pelos anticristãos para que absolutamente nada seja dito contra as atrocidades cometidas contra animais hoje.

Enquanto isso os evangélicos, os terríveis fundamentalistas evangélicos, encerravam suas atividades às 21:00h, pegavam suas bíblias, as colocavam debaixo do braço e seguiam pacificamente em direção aos seus domicílios sem dar um único pio que não fosse entre eles. Na pior das ocorrências, quando faziam suas vigílias pela madrugada, faziam com o templo completamente fechado e sem produzir um único ruído que perturbasse o sono da vizinhança.

…e a intolerância é nossa!!!

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