Trocam-se os porcos. Mantém-se o chiqueiro!

porcos

Eu havia dito lá na página do facebook que comentaria sobre o impeachment da “presidenta inoçanta”. Cheguei a preparar um vídeo a respeito, mas não ficou bom, então decidi não postá-lo. Sendo assim farei aqui uma breve reflexão sobre esse processo com base na percepção de que tive de todo o espetáculo midiático “panem et circenses” que nos foi apresentado.

Começo dizendo que a votação na câmara dos deputados, embora tenha sido um show de vergonha alheia – haja vista, pelas dedicatórias mais esdrúxulas possíveis –, foi um tanto mais empolgante e saborosa do que a ocorrida no senado federal. Curiosamente, as imagens flagrantes da “inoçanta” totalmente à vontade em meio às gargalhadas de seus algozes demonstravam claramente que algo ali estava fora do normal. Todavia, mesmo que as imagens fossem absolutamente desproporcionais e suspeitas, dadas as circunstâncias, eu acreditei piamente até os últimos instantes que todo o processo estava sendo conduzido dentro da mais genuína legitimidade –  Ledo engano!

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A decisão anômala e irresponsável do ministro Ricardo Lewandowski em rasgar a Constituição Federal diante dos milhões de brasileiros que assistiam ao julgamento da “inoçanta” pela televisão apenas mostrou o óbvio: que leis no Brasil  não valem mais nada! Isso, curiosamente, não é de todo estranho, pois basta olharmos para o lado e veremos na prática o delito nosso de cada dia. Sim, ele está no aluno que não respeita mais o professor, no filho que não obedece aos pais, no prefeito que desvia as verbas da merenda, no motorista que suborna o guarda de trânsito, no jovem que não respeita o idoso, no advogado que defende o bandido e no juiz que inocenta o criminoso… Tais práticas e condutas, já incorporadas à nossa cultura, não passam de meros reflexos de décadas de esforços pela relativização do estado de coisas, quebra de paradigmas, rejeição dos valores vigentes, banalização dos princípios, desconstrução da moralidade e negação da realidade enquanto tal – Nada de novo até então, né!

Diante da tamanha confusão é realmente difícil saber com precisão cirúrgica qual o rumo que esse país tomará. Mesmo assim, ouso em fazer aqui [e o faço com base no histórico apresentado abaixo] um breve resumo das estratégias que levaram o Brasil a se afogar no mais profundo mar de lama, assim como breve resumo das tragédias que ainda estão por vir:

  • Cria-se o Foro de São Paulo em 1990 (baixa relevância e influência de 90 à 95);
  • O governo FHC prepara o terreno para a grande tomada socialista;
  • O PT ganha amplo apoio popular em razão das promessas populistas e assistencialistas;
  • Uma vez no poder por meio do voto popular, o PT, ao mesmo tempo que dá com uma mão, tira com a outra (intensificam-se a ampliação e distribuição de benefícios para a população de baixa renda);
  • Inicia-se o projeto de aparelhamento estatal por meio de “caixa dois”, compra de parlamentares e instituições privadas como Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez  (intensificam-se as atividades do Foro de São Paulo);
  • Na área econômica a arrogância e prepotência da dupla Lula e Dilma descartam promissoras parcerias comerciais com os EUA e voltam-se exclusivamente para o BRICS, apostando suas únicas fichas em exportação de commodities para a China;
  • Forças armadas, poderes legislativo e judiciário são aparelhados;
  • Milhares de ONGs de esquerda são montadas e financiadas por organismos estatais e paraestatais (nacionais e internacionais);
  • Novas agências reguladoras são criadas, abarcando os setores mais críticos e essenciais do país, tais como infraestrutura, comunicações, meio-ambiente e defesa;
  • Sindicatos ganham força, MST cresce e organiza-se com o apoio do governo;
  • Cria-se a Empresa Brasileira de Comunicação, a EBC (os principais meios de comunicação também são aparelhados);
  • Cursos universitários públicos e privados, especialmente os de humanas, tornam-se verdadeiros centros de formação e doutrinação partidária / marxista;
  • Campanhas intensivas de demonização ao período militar são exaustivamente promovidas e disseminadas no mainstream artístico, acadêmico e midiático;
  • O mainstream cultural e artístico passa a receber vultuosos incentivos financeiros por meio da Lei Rouanet para apoiar a agenda do governo e os programas sociais;
  • Inicia-se uma massiva campanha de disputas e diferenças entre a população com base na raça, credo, sexualidade, posição política e social (intensificação do caos);
  • A intencional e programada má gestão dos presidentes Lula e Dilma, associada à constante prática de corrupção do alto escalão político, mais a brusca desaceleração industrial e econômica da China afetam diretamente a economia e reputação do Brasil em níveis globais;
  • Presidente Dilma, por meio das maquiagens e pedaladas fiscais, consegue se reeleger. Dessa vez não só a população brasileira fora enganada pelas mentiras do PT, mas sim todo o mercado global. Uma retaliação já é mais que esperada;
  • Com a economia já bastante fragilizada e sua má reputação internacional o Brasil encontra grandes dificuldades de manutenção de crédito e relação comercial com os principais países industrializados;
  • Escândalos de corrupção vêm à tona diariamente nos noticiários nacionais e internacionais (inicia-se o plano para troca de comandos);
  • População sai às ruas protestando contra o atual governo;
  • Sérgio Moro entra em cena com a Lava Jato;
  • Presidente Dilma é afastada, mas mantém prerrogativas parlamentares e Lula, embora investigado, ainda mantém-se longe de ser preso;
  • Eduardo Cunha é cassado, servindo assim como referência de cumprimento rigoroso da lei, dando a falsa impressão de que a concessão dada para Dilma no senado também foi legítima [item atualizado em 12/09/2016];
  • Michel Temer entra como um dublê para fazer o “serviço sujo” que o PT, populista, não faria;
  • Medidas impopulares, tais como mudanças no FGTS, leis trabalhistas, carga tributária, aposentadoria e programas sociais são profundamente modificados numa tentativa de retomada urgente da economia;
  • Com relativa melhora nos índices econômicos, após severos meses de arrocho, o Brasil, gradualmente, recupera a credibilidade junto aos credores internacionais, firma acordos diplomáticos e capta empréstimos trilionários astronômicos quase vitalícios;
  • Nesse ínterim, a população de baixa renda e grupos de movimentos sociais são brutalmente afetados (intensificam-se as diferenças);
  • Em decorrência das medidas impopulares tomadas pelo presidente [dublê] Michel Temer, associado aos escândalos de corrupção apontados pela Lava Jato, o clamor e o furor da esquerda intensificam-se exponencialmente, ganhando muitas novas adesões (inclusive da ala direta que apoiou o impeachment da Dilma);
  • Temer sai;
  • Embora Constituição Federal preveja eleições indiretas, população é convocada para novas eleições diretas;
  • A esquerda, possivelmente por meio de um novo arranjo, coligação ou partido político, o qual se mostrará inicialmente “neutro”, mas que fará ataques diretos à velha política dicotômica de “direita” e “esquerda”, surgirá como possível melhor alternativa para corrigir as duas últimas décadas de má gestão, má política e intermináveis escândalos de corrupção no país. Ademais, ganhará amplo apoio e adesão popular pela promessa de reaver todos os benefícios sociais tirados pelo governo Temer;
  • Tal partido “neutro” [de esquerda], com um arranjo diferente e novas e sedutoras promessas – mas com os mesmos protagonistas e agendas de sempre –, assume novamente o poder por meio de voto popular;
  • Após cumprir o período vigente competente às eleições de 2014, população é novamente convocada para as eleições presidenciais de 2018. Partido “neutro” mantêm-se no governo;
  • Direita política tenta reagir, mas não passa de um mero peso morto que não exerce efeito significativo algum;
  • Em poucos meses, famigeradas políticas assistencialistas e segregacionistas voltam a ganhar força e o Brasil entra num novo ciclo de degradação, tornando-se assim o eixo central do bloco comunista latino-americano, ademais, descendo ao mesmo nível da Venezuela.

Eu rezo todas as noites para estar redondamente enganado!

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2 comentários sobre “Trocam-se os porcos. Mantém-se o chiqueiro!

  1. Não acredito muito nessa vertente, pois acho pessimista.
    Acho que há uma incógnita no ar! Não creio que Michel Temer ou o congresso vá ceder a essa bagunça. Seria o fracasso de tudo. Existem milhões de pessoas que querem que o país supere a crise e isso só será possível através das reformas políticas e econômicas.
    Bloco central comunista? Sem chance! Não é a nossa cara.

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  2. Penso diametralmente oposto: acho que estamos convergindo ao conservadorismo liberal como nunca antes, independentemente do governo….essa é uma tendencia…..marcada grandemente pelo enfraquecimento do monopólio da informação que antes era das tv’s e afins….. Hoje, a internet é a maior revolução da era moderna e que ainda não foi percebida como tal…..debates e conceitos que antes ficavam circunscritos no mundo acadêmico, agora são oferecidos a todos democraticamente……A internet ganhou status de essencialidade….. e a tendencia é que a informação seja cada vez mais depurada e assimilada (racionalmente) pelas massas…. ‘a era do Fantástico dizer que 2+2= 5 acabou……o diálogo agora é multilateral,sendo a massa o principal orador’……..

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