Qual o melhor caminho a seguir para ser íntegro consigo mesmo?

persistencia

Talvez uma das coisas mais difíceis para alguém acima dos 40 anos seja admitir que não conseguiu acompanhar as rápidas mudanças ocorridas no mundo nas últimas décadas.

Mas há uma razão plausível para isso: Veja, você passa os primeiros dez anos de sua vida ouvindo um sonoro “não!”, dentro e fora de casa. Se você for uma pessoa mentalmente saudável acabará se condicionando sem muitas dificuldades a um sistema de normas éticas, morais e políticas que irão moldar o seu caráter, sua personalidade e sua visão de mundo para o resto de sua vida. Não demora muito, você cresce e aprende uma profissão com o objetivo inicial de pagar suas contas, vestir-se, alimentar-se e divertir-se quando possível. Contudo, as responsabilidades aumentam à medida que novos compromissos e alianças são celebrados e, por força da necessidade, você se aliena cada vez mais no trabalho pelas próximas décadas a fim de garantir não apenas a sua subsistência, mas agora a de sua família.

Em meio aos compromissos e desafios do dia a dia você não vê o tempo passar, tampouco percebe as mudanças que ocorrem diante dos seus próprios olhos. Um belo dia você acorda e, ao deslocar-se para o trabalho, se depara com um trânsito totalmente congestionado por causa de um grupo de moradores de uma determinada comunidade que decidiu queimar pneus no meio da rodovia em represália à morte de um traficante abatido em confronto com a polícia. No dia seguinte você perde o seu voo por conta de um protesto feito no acesso principal ao aeroporto promovido por moças universitárias com os seios à mostra e segurando cartazes pedindo a legalização do aborto e o fim da violência contra as mulheres. Noutro dia você liga a TV e lá está mais um caso de racismo – algo que você achava que só acontecia nas novelas da Globo e nos filmes de Hollywood. No mesmo dia o noticiário da tarde de outro canal denuncia a crescente onda de violência contra os homossexuais. Ao ligar o rádio do carro para ouvir a previsão do tempo escuta mais um caso de racismo, dessa vez contra uma apresentadora de TV. Ao acessar as recém-criadas redes sociais não entende porque muitos dos seus contatos estão com a foto padronizada em condolência aos palestinos mortos na Faixa de Gaza. Ao emitir uma opinião sobre um determinado tema de interesse público, com base nos valores que possui, você é automaticamente tachado de fascista sem ter a menor noção do que isso possa significar. Sem ter uma opinião formada – e também para não desapontar as pessoas do seu círculo social – concorda que o Diogo Mainardi só escreve besteira – mesmo sem nunca ter lido sequer um único artigo dele – e que um tal de Jair Bolsonaro, órfão da ditadura militar, é um verdadeiro arrogante, patético, antiquado e antissocial. Naquela mesma noite você decide criticá-los nas redes sociais com base na opinião de seus colegas apenas para se sentir parte do meio. Na manhã seguinte, ao ler o jornal pendurado na banca, observa que uma tal Comissão Nacional da Verdade está prestes a ser criada com o intuito de punir militares que cometeram crimes contra a humanidade na ditadura militar. No seu intervalo para o almoço assiste novamente na TV que um grupo organizado de ateus entrou com processo judicial pedindo a exclusão da frase “Deus seja louvado” das cédulas de real. Ao fazer uma pausa para o café percebe que alguns de seus colegas estão conversando sobre as cotas raciais, casamento gay e os avanços sociais do atual governo. No consultório médico, enquanto aguarda ser chamado, observa que a capa da revista destinada para os pacientes traz uma matéria exclusiva sobre o empoderamento da mulher moderna e a luta contra o patriarcado machista opressor. Enquanto observa estático a revista, uma música ambiente de fundo do Marcelo D2 faz apologia às drogas e na sequência uma outra canção do Cazuza ataca a burguesia. Ao buscar o seu filho na escola recebe um bilhete da secretaria informando que não haverá mais a comemoração de dia dos pais, mas sim do dia dos cuidadores. Ao chegar em casa, movido por um atípico impulso de curiosidade, decide examinar os livros didáticos do seu filho e constata que não há mais menção ao Hino Nacional, ao patriotismo, às organizações sociais políticas brasileiras, à moral e cívica e à religiosidade, mas há, no lugar, o multiculturalismo, o humanismo secular, a inclusão social, a diversidade, a tolerância, os direitos humanos, o africanismo, os movimentos feministas, o ateísmo militante com verniz de disciplina científica, as maravilhas do socialismo cubano e uma assombrosa demonização do período militar brasileiro, do capitalismo imperialista norte americano, da meritocracia individualista, do cristianismo e seu genocídio histórico por meio da inquisição e das cruzadas. Constata que há também uma evidente propaganda sexual disfarçada de cidadania e combate à homofobia. Sobretudo, espanta-se terrivelmente ao descobrir que alguns professores do seu filho defendem abertamente um novo conceito chamado ideologia de gênero, o qual afirma que não se nasce homem ou mulher, mas se constrói tais gêneros por meio de imposições sociais.

Num dado instante qualquer, quando você menos espera, uma luz intensa se acende no meio da escuridão como se um trem em alta velocidade estivesse prestes a te atropelar, daí a sua ficha cai e você se pergunta: “O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O MUNDO???

Nesse exato momento você se depara diante de uma estrada que se dividem em dois lados – e eu não me refiro aqui à direita ou esquerda política, mas a uma escolha de postura frente às novas constatações:

Um dos lados é o mais fácil, o mais aceito, o mais popular, o mais descolado, o mais confortável e o mais escolhido. A saber, o lado da grande maioria. Nesse lado você não precisa se preocupar com as coisas que te cercam, pois alguém fará por você aquilo que você não quer fazer. Nesse lado o Estado é o seu tutor, garantidor e mantenedor de tudo aquilo que você julga precisar. Esse lado é admirado e até mesmo cultuado por muitos pelo forte clamor em favor dos fracos e oprimidos. Nesse lado você não precisa se dar ao trabalho de pensar muito, basta apenas cumprir os ditames acadêmicos, acatar o que diz a grande maioria e defender com unhas e dentes as pautas determinadas nas convenções do partido. O segredo é não questionar!

O outro lado, entretanto, é mais penoso e requer sacrifício, pois consiste numa busca incessante pela verdade e pelo conhecimento; procura descobrir a origem de determinados problemas examinando-os a partir da raiz; não se contenta com explicações pré-moldadas e formatadas pelos círculos acadêmicos ou midiáticos. Esse lado exige, sobretudo, dedicação, entrega, estudos, investigação, pesquisas, análises e permanente observação. Questionar é o que move as pessoas desse lado. Esse é o lado que uma pequena minoria não conformada escolhe seguir e por essa razão tais indivíduos são constantemente atacados, difamados e caluniados por defenderem uma opinião própria e que normalmente conflita com a unanimidade conformada.

Com efeito, uma das maiores frustrações para os que escolhem seguir o lado mais difícil da estrada não está exatamente na comprovação de que o mundo mudou para pior nas últimas décadas, mas sim na constatação de que as pessoas que poderiam fazer alguma coisa boa por ele se adaptaram confortavelmente às suas obscuras modificações sem muitos questionamentos. Pior ainda são os que estão chegando aqui agora e enxergam todo esse caos e inversão da realidade como parte integrante do mundo que os cerca.

Isso é no mínimo trágico!

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2 comentários sobre “Qual o melhor caminho a seguir para ser íntegro consigo mesmo?

  1. A ideologia comunista é risível. E o Estado não é nada,apenas uma ‘sala’ de gerência o qual deveria atuar com o mínimo possível de intromissão na sociedade….o Estado não pode tutelar o povo, pois o povo é quem,literalmente, dá vida, mantém e condiciona a criação e soberania do Estado. ……’imaginem uma empresa onde se implanta uma política administrativa em que a gerência determina que todos os profissionais ,do subalterno ao graduado, terão seus salários pareados’. Tudo em nome da justiça social….imaginem ainda se essa empresa fosse envolvida com tecnologia de ponta, uma Embraer,por exemplo’. Desse ponto de vista,pergunto: é melhor estudar e formar-se engenheiro ou seria melhor ser um profissional apertador de parafusos?
    Essa é a essência do comunismo! um GRANDE colapso social.

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  2. A grande maioria, acho que sempre foi assim, não se importa muito. Talvez porque não tenham consciência de fato. Na minha opinião, consciência brota da sensibilidade, do conhecimento verdadeiro… a partir daí, conforme você mesmo relatou, diante de tanta confusão na sua maioria inventada pelo oportunismo de levar alguma vantagem.. Vender chicletes, jornais, etc…
    O Papa Francisco falou que estamos na era do descartável… Acho que ele está certo.

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