COLOCANDO OS PINGOS NOS IS.

Não sou religioso e não apoio religião alguma, mas também não prego contra (como fazem esses moleques irritantes neo-ateus de youtube, especialmente contra a religião cristã). Sou favorável à liberdade de escolha de cada indivíduo, desde que essa escolha não afete a liberdade de escolha de outra pessoa, assim como também a sua integridade física (como é o caso da religião muçulmana e seus objetivos abertamente declarados de se tornar a religião única mundial, eliminando assim todas as demais).

Há quem justifique a sua crítica ácida contra a religião partindo do pressuposto de que muitos religiosos a praticam pelo simples temor de uma punição divina eterna, mas não por estarem genuinamente engajados em agradar a Deus ou ajudar o próximo. Ao que tudo indica essa parece ser uma das verdades mais gritantes do meio religioso, no entanto, não o bastante para erradicá-la definitivamente, afetando assim os demais religiosos que encontram aspirações totalmente contrárias.

Embora favorável à liberdade de escolha individual, sou contra a religião no seu aspecto institucional, pois, nesse caso, muitos oportunistas se beneficiam às custas de pessoas de boa fé. Todavia, isso não é segredo pra ninguém, nem mesmo para o próprio religioso. Ademais, nem eu e nem você conseguirá mudar isso, haja vista, muitas destas pessoas precisam de algo que lhes dê algum conforto emocional, algum sentido espiritual e alguma motivação material, logo é infrutífero apontar os desvios de caráter humano uma vez que o foco do objeto não está no homem, tampouco nas suas atitudes falhas, mas sim em Deus. O curioso nesses casos é que a validação da entidade divina para os religiosos mais convictos parece ser o ponto de menor relevância, pois, mais importante que se provar a existência ou inexistência de Deus é preservar a visão que o próprio indivíduo tem dessa divindade, garantindo assim a percepção que ele tem dele mesmo perante o todo – A religião lhe dá uma identidade bem aceita pela sociedade. Sobretudo, de todos os atributos inerentes à natureza humana a espiritualidade é sem dúvida um dos códigos mais evidentes e marcantes no ser humano e isso por si só já é elemento mais que suficiente para que todos respeitem a crença individual, seja ela qual for. Ora! Se Dawkins acredita piamente no deus ciência, então que ele seja feliz com esse deus, mas não tente impugnar a fé de João impondo-lhe a sua descrença, tampouco tente subjugá-lo como um idiota por acreditar, por exemplo, num bule voador. Logo, a verdade que parece ser adequada para Dawkins pode não ser adequada para João. Curiosamente, os relativistas perecem não entender essa relação!

SOBRE SER CONSERVADOR

Não me considero um conservador, mas não sou progressista o bastante para aceitar as escandalosas inversões de valores que estão sendo massivamente propagadas para o grande público nesses últimos tempos. Não acredito na família tradicional como base sólida da sociedade, tampouco tenho o objetivo de defendê-la isoladamente. Por experiência própria posso afirmar que ela não funciona do mesmo jeito como funcionava até as décadas de 50 e 60 e isso não é novidade para ninguém. O efeito das alterações do perfil familiar no decorrer das últimas quatro décadas se deu exclusivamente pelo advento da pílula anticoncepcional e pela entrada da mulher no mercado de trabalho – Não cabe aqui discorrer se isso foi bom ou ruim, pois eu teria que tecer uma infinidade de argumentos que nos renderia um livro, logo, deixemos isso para outra oportunidade. Contudo, cabe ao menos pontuar que, além da entrada da mulher no mercado de trabalho, houve ainda um grande enfraquecimento das bases religiosas no âmbito familiar.

Veja, quando duas pessoas independentes, sem uma crença em comum, compartilham o mesmo espaço físico, mas possuem objetivos e ambições bem diferentes tal família não encontra alicerce suficientemente forte para permanecer de pé. O que sobra, nesses casos, são as contas para pagar e a responsabilidade de cuidar dos filhos, caso tenham. À medida que o casal se condiciona a essa rotina aliena-se e exaure-se gradativamente pela obrigatoriedade desempenhar uma função a qual não vê mais o mesmo sentido que vira no início da relação. Ademais, as lacunas que se abrem para novas possibilidades de relacionamento extraconjugal também aumentam consideravelmente e é nesse ponto em que a família tradicional ganha o seu carimbo mais marcante: o de instituição mais hipócrita da sociedade – isso nunca foi tão verdadeiro quanto nesses últimos tempos!

Por essas e outras razões, a sagrada família tradicional brasileira não deveria se preocupar com temas como, por exemplo, o casamento entre homossexuais, pois ela, por si só, não consegue subsistir se não por meio de propósitos estritamente materiais e espirituais. Logo, o meu objetivo quanto difusor de opinião não é defender bandeiras religiosas, tampouco a família tradicional brasileira, mas sim desmascarar as estratégias da militância de esquerda que tem como objetivo específico a propagação das mais esdrúxulas inversões de valores e desconstrução da cultura ocidental por meio de conceitos ideológicos baseados na filosofia marxista.

SOBRE SER LIBERAL

A ideia de ser um liberal / libertário / anarcocapitalista é tão atraente quanto a ideia de ser um socialista; São extremos diferentes, porém com o mesmo valor utópico. Gosto da visão radical que Rothbard tem acerca do Estado, mas a afirmação de Hobbes sobre a natureza perversa do homem me parece mais realista. O grande problema, tanto do libertário quanto do marxista, é que ambos não simpatizam com a ideia do indivíduo pincelar alguns dos pensamentos de seus principais mentores, segundo a sua melhor conveniência e visão de mundo, descartando assim as demais coisas que não lhe interessa. Por exemplo, eu acho importante as contribuições de Mises e Friedman quanto ao livre mercado, porém acho que elas carecem de instâncias de controle e regulação que as façam funcionar conforme a ótica de seus idealizadores. Ora! O mercado é gerido por homens e os homens são comprovadamente falhos! Por quais motivos então o livre mercado “auto regulatório” seria diferente do Estado malvadão??? Logo, na cabeça de um libertário, você tem de concordar com tudo o que Ayn Rand fala, assim como um esquerdista aceita como verdade única tudo o que Foucault escreve. Ora! Isso também é alienação!

Outro ponto curioso sobre as ideias libertárias e marxistas é que ambas aspiram pela aniquilação do Estado em seu estágio final, não obstante, compartilham agora da mesma agenda – salvo, evidentemente, pelas questões econômicas e de livre mercado. Bom, fazendo uma analogia um tanto boba, parecem dois velociraptors correndo atrás da mesma presa, só que cada um corre de um lado diferente. Devo admitir, certamente, que esse tema carece de melhor apreciação e amadurecimento de minha parte, pois é possível que eu absorva conceitos ainda não identificados por mim. Contudo, pretendo abordá-los com maior frequência em outras oportunidades.

Abraços!

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4 comentários sobre “COLOCANDO OS PINGOS NOS IS.

  1. Sobre ser Liberal, o Anarcocapitalismo é apenas não querer ser agredido, sendo o estado o maior agressor. Sobre a maldade humana é apenas mais um motivo para não concentrar o poder em algumas pessoas e sim descentralizar o máximo possível. É muito mais fácil combater um prefeito que utiliza o dinheiro público contra a população do que combater um presidente.
    E comparar ao marxismo é falta de informação, mas isso é fácil de resolver renatofurtado.com

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    1. Olá Renato! Vou tentar resumir em poucas linhas: Ninguém quer ser agredido, independentemente do seu posicionamento político-ideológico. Logo, isso não torna os liberais diferentes dos demais.

      A saber, sou contra o Estado e isso está claro no texto.

      A sua argumentação sobre a maldade humana é o que mais invalida os propósitos libertários: Veja, se todo ser humano é intrinsecamente mau então é vantagem que apenas um pequeno grupo de malvados tenha o controle sobre os demais, pois, se todos pudessem fazer uso de suas maldades conforme o seu entendimento de liberdade então certamente regrediríamos aos tempos de barbárie (estilo Conan mesmo). Isso é inegável. Tá, mas daí você vai citar as instâncias de justiça e policiamento privados, que, cabe ressaltar, desempenhariam a mesmíssima função das quais desempenham hoje as estatais. Ora! Isso seria trocar seis por meia dúzia! Ok! Mas a polícia, uma vez que privada, teria maior concorrência, logo se aprimoraria mais, baixaria o preço e isso possibilitaria maior opção de escolha para os seus clientes. Essa é sem dúvida a parte de maior ingenuidade dos libertários: acreditar que, num país com mais de 200 milhões de habitantes e beirando 60 mil homicídio/ano, teríamos várias empresas de segurança privada oferendo o mesmo serviço com baixo custo sem a possibilidade de formação de oligopólios!!! Filho, empresário quer lucro!!!

      Sobre combater um prefeito e um presidente, provavelmente você está se referindo a independência dos estados. Se for isso, sim, seria uma ideia boa, mas dividiria o Brasil em dois: o sudeste brasileiro e o restante africano. Logo, não funciona!

      Sobre comparar o marxismo com o libertarianismo o texto é bastante claro ao apontar que esta comparação é em termos de valores utópicos e não em termos essenciais (como você interpretou).

      Por fim, quero deixar claro que o libertarianismo não é de todo ruim, tem pontos interessantes sim. O problema é quando os pontos incompatíveis com a natureza humana esbarram com a realidade do homem enquanto ser social. O assunto é longo e não dá pra discorrer aqui.

      Obrigado pelo convite e pela postagem. Abraço!

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      1. eu vivo o Anarcocapitalismo, quando confiei na segurança estatal, fui assaltado e furtado diversas vezes. Cheguei a levar o bandido na delegacia e não prenderam por não ser flagrante, isso que ele confessou 4 crimes e já tinha 16 boletins de ocorrência contra ele.
        Então me armei e não fui mais assaltado, porém ainda haviam pequenos furtos que cessaram após a contratação de uma empresa de segurança privada.
        Se eu tivesse contratado a empresa desde o começo, meu cabelo teria muito menos fios brancos e minha saúde estaria melhor.
        Obrigado por me responder e parabéns pelo trabalho

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